uma vez há muito tempo me vi segurando aquele objeto de cerâmica, parecia cego vermelho.  parecia desatento ou azedo.  peguei uma caneta preta daquelas que a gente usava pra escrever em cd, sabe?  pintei o olho direito do daruma era obrigatório parecia e iludi minha memória escondendo a tristeza por ter ficado não cego mas caolho. tanto que uma outra vez também há muito tempo o quebrei usando um martelo como se batesse um prego fechando uma porta com uma madeira. hoje por força ou sorte ou gana – a vontade virou gana – ou febre ou fome uma nuvem como algodão dos desenhos de criança branquinha veio e muitos anos depois a nuvem me entregou a mesma caneta da tinta que não sai e disse “pode pintar o olho esquerdo, estou aqui”. dessa vez  agora os dois olhos grandes bonitos podem ver que é impossível desarmar um destino.

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Sarau da Capivara Primata, 25/05

Gente querida, vamos vandalizar hoje num sarau?

Ouvi boatos de que vai ser mais quente que Brasília!

 

SARAU DA CAPIVARA PRIMATA – PARTE III: CONFIRMAÇÃO

SARAU:

– convidadxs especiais: Lilian Aquino, Davi Kinski, Daniel Perroni Ratto,Jeanine Will, Donny Correia, Dente Poesia e Jeanne Callegari
– intervenção musical: Murilo de Lima
– mic aberto, inscrições na hora

  • ONDE: Rua Major Diogo, 865/863  
  • HORÁRIO:  das 20h às 23h


Versos, Vozes

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VERSOS, VOZES é um encontro de poesia contemporânea organizado mensalmente pelos poetas Tarso de Melo e Heitor Ferraz Mello na simpática Setzer, loja de discos e livros que fica na Galeria Metrópole, no centro de São Paulo.

Participarei da próxima edição, no sábado (dia 29/04, das 11h às 13h), conversando com os poetas Renan Nuernberger e Dalila Teles Veras.

Vamos?

 

Lançamento de “Daqui”, 16/02

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É com muita alegria que convido para o lançamento do meu livro de poemas Daqui, que acontecerá no dia 16/02 no Patuscada, a partir das 19h.

Publicado pela Editora Patuá, o livro ganhou Bolsa de Criação Literária do ProAC em 2015 e tem arte de capa e diagramação lindas do Leonardo Mathias.

Aqui um trecho do texto de apresentação da Carla Kinzo:

 

“O poema ‘O espaço e o tempo’ diz: é deste tempo que falo / é daqui deste lugar / preso / que as horas passam. Pelo livro, passamos por elas, as horas, ou isso que chamamos hora, memória, tempo. Lilian, em seu segundo livro, olha para o que tentamos nomear quando o tempo nos encara – e que nos escapa, vertiginosamente. Por não ter medo desse desassossego, sua palavra se assenta no vazio, já que não ignora, quando diz que o que se torna ideia é menos a coisa existente, do que sua não existência.”

 

Se você não puder comparecer ao lançamento (que pena!) e quiser comprar o livro, isso pode ser feito pelo site da editora:

COMPRE O DAQUI AQUI

convite_daqui

 

 

 

Saíram poemas meus na Mallarmargens, revista de poesia e arte contemporânea.

Os quatro primeiros poemas fazem parte do meu novo livro, o Daqui, que terá lançamento em fevereiro, e os dois últimos fazem parte do Pequenos afazeres domésticos, livro de estreia.

Veja aqui: 6 Poemas de Lilian Aquino

 

 

 

Daqui

Desde o início deste ano estive me dedicando ao projeto do meu segundo livro de poemas, Daqui, que foi contemplado com uma bolsa de incentivo à criação literária do ProAC (Programa de Ação Cultural, Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo) no final de 2015.

Nesse novo projeto, busquei dar continuidade à minha pesquisa estética iniciada com meu primeiro livro, Pequenos afazeres domésticos (2011), em que o espaço poético é o fio condutor da obra e os cenários do cotidiano do indivíduo urbano (e, por que não dizer, paulistano) trabalham simbolicamente no universo dessa poética buscada. No caso de Daqui, no entanto, importa mais o lugar do “aqui” de onde fala o enunciador, ou seja, o seu tempo presente, as suas observações do mundo que o cerca, sua relação com o entorno, o agora.

Então, o lugar de onde fala esse sujeito foi constantemente investigado durante a escritura dos poemas, que se compuseram em múltiplas vozes saltadas das relações estabelecidas com a sociedade e dos desejos que o movem – um sujeito que se coloca tanto para fora quanto para dentro de si, que ora está na rua, vivenciando a cidade e os contatos humanos; e ora está no porão de sua casa, fechado em si mesmo, mergulhado no inconsciente – o não deixa de ser também uma resposta ao seu tempo.

E para dar conta dessas questões provocadas por um mundo ao mesmo tempo metódico e caótico, o livro foi dividido em duas partes que dialogam entre si e se complementam. A primeira (“Dentro”) tem como mote a “razão” e a segunda (“Fora”),  a “loucura”. A pesquisa e a criação dos poemas do livro se orientaram por essa dicotomia, presente como forma e conteúdo.

O percurso até aqui foi, como o próprio ritmo do livro, cheio de altos e baixos. O desafio de que os poemas conversassem entre si e que as partes fossem ao mesmo tempo interligadas e também “fissuradas” foi grande. Mas chegar a esse produto final (com várias reescrituras, reorganizações e até cortes finais) me deu grande satisfação. Bom, é difícil pôr um ponto final em uma obra, mas declaro a minha pontuada daqui em diante.

Ah, o livro será publicado em breve pela Editora Patuá. Avisarei aqui quando sair, claro.

 

                                                                                  

                                                                                               Realização:

proacsp_incentivoacultura                    CULTURA_V_PR

Tá vendo essa linha no chão? Você, sob nenhuma hipótese, pode sair dela. Nunca. Ande olhando pra baixo para não a perder de vista e pise bem rente a ela, ok? Se alguma vez você se desequilibrar e sair do lugar, tudo, ouviu bem, tudo vai desmoronar ao seu redor. Bom, fofinha, agora pode ir brincar.

A adulta que sou veio da criança apavorada com os limites da linha, preocupada com o equilíbrio dos passos e com a ausência de ruído. Romper com essa ordem, rompi. Mas, você sabe, houve desmoronamentos. Ah, mas siga empoeirada, pero sem perder a doçura, me disse a mim. Sem perder as estribeiras, a compostura. Aliás, não posso perder nada, nem perder-me. Tudo bem, e dou um sorriso. Mas você, claro, também sabe que agora, bem agora, eu vou perder pontos. Já perdi a fala tantas vezes. Mas isso é só punição por, antes, ter me deixado punir. Culpa? Sim, é minha, desculpe se deixei cair.