Último botão

                                  para Diego Jock

 

Esperava
sacudida por soluços
mas não adiantava nenhuma
simpatia ou tomar água,
nada.

Na sala dos passos perdidos
eram renovadas, a todo momento,
as pessoas em volta
: um breve roçar de saias
e os sapatos conhecendo
aquele não-lugar,
um ar em redemoinho
impossível pegar com
as mãos.

Já ele inventava essências
nos corredores curtos, mas largos
só tentando não bater as pernas
E do seu casaco aberto apenas
no último botão tira um punhado de
folhas, atravessa até ela e diz:

– Alfazema, toma. Coloca no bolso.

 

 

(este poema faz parte do meu livro inédito Pequenos afazeres domésticos, que vai ser publicado este ano pela Patuá)

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9 comentários em “

  1. Carol M disse:

    Lilian, que lindo o seu blogue! É de uma sensibilidade, de uma doçura…Gostei muitíssimo.
    E o poema é espetacular, a propósito.
    Um beijo saudoso daqui do outro lado do Atlântico.

  2. Anônimo disse:

    lindo!

  3. Helô Beraldo disse:

    Eita, não vejo a hora de me apossar dos pequenos afazeres domésticos e sentir o cheirinho de livro saindo forno, que só perde pro cheiro de pão francês fresquinho da padaria, só… [pensamento de gordita? haha]. Beijocas!

  4. Luisa disse:

    Imaginei a cena…

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