tesouro

sepultei umas moedas em 1992, às quatro da tarde. coloquei dois pequenos galhos em forma de cruz e quis rezar por mim, mas não consegui. as orações que eu sabia tinham caído no chão. peguei um terço e a cada conta eu dedicava um nome de pássaro, joão-de-barro, colibri, anu-preto. eu não me lembro como se deu aquela necessidade, era força juvenil, de cavar com os dedos: as unhas entupidas de terra. ou pensei que teria sido melhor jogar na fonte da rua principal, o cobre afundado na água. nunca que ia corroer, nunca. a ideia era infinita, senti medo de não acabar, de não morrer. o único sentido é este, de se desfazer no meio da terra, enterrados.

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2 comentários em “tesouro

  1. Ai, Lílian, eu gosto tanto te de ler!

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