quarenta dias

Estamos na quaresma. É tempo de tempo.
Da quarta-feira de cinzas até a Páscoa, deixe a luz a vela queimar.
Aqui vai um poema do meu Pequenos afazeres domésticos:

.

Quaresmeira

Sábado de aleluia
o cheiro da cera
da luz murmurando
preces

– gosto das arandelas
feito luminárias
recolhendo os pingos
da parafina que
escaparam de queimar
propositadamente
meus dedos –

o círio aceso
me vela
convida a ressuscitar
no domingo.

Anúncios

fantasia

“se o amor é fantasia,
eu me encontro ultimamente em pleno carnaval”
(Toquinho)

Levanto um cartaz, colado no cabo da vassoura, que diz uma peônia é capaz de fazer sua revolução. O homem-placa tem medo dessa vagareza, dessa escolha tão à luz do dia, vendendo ouro. Deposito meus desejos nas palmas das mãos, minhas linhas dispostas à sua leitura  (ele aprendeu  quiromancia). Meu amor são tijolinhos de olaria, feitos de barro, assados no forno: eu vejo o mundo e vermelho-me. Meu amor nasceu de meus ovários, muitos. Eu sou a abundância que ofereço. Pra mim e pra você, eu pulo um carnaval.