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rolezinho

não é dia de futebol
no morumbi
então, por que você
diz que eles carregam
uma bandeira?
aí você fala:
é baderna, confusão

não, não é dia útil
a entrada liberada
é onda, diversão
é urgente na quebrada
– só a ostentação
é igual pra todo mundo

Juan Gelman

Um dos melhores poetas da atualidade e  ícone da resistência à ditadura na argentina, Juan Gelman morreu ontem, aos 83 anos.

“Final”, um dos que mais gosto dele:

 

Final 

Um homem morreu e estão juntando seu sangue
em colherinhas,
querido juan, morreste finalmente.
De nada serviram teus pedaços
molhados em ternura.

Como foi possível
que tu fosses embora por um furinho
e ninguém tenha posto o dedo
para que ficasses?

Deve ter comido toda a raiva do mundo
antes de morrer
e depois ficava triste triste
apoiado em seus ossos.

Já te baixaram, maninho,
a terra está tremendo de ti.
Velemos para ver onde brotam tuas mãos
empurradas por tua raiva imortal.

(Trad. Eric Nepomuceno)

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Final 

Ha muerto un hombre y están juntando su sangre en
cucharitas,
querido juan, has muerto finalmente.
De nada te valieron tus pedazos
mojados en ternura.

Cómo ha sido posible
que te fueras por un agujerito
y nadie haya ponido el dedo
para que te quedaras.

Se habrá comido toda la rabia del mundo
por antes de morir
y después se quedaba triste triste
apoyado en sus huesos.

Ya te abajaron, hermanito,
la tierra está temblando de ti.
Vigilemos a ver dónde brotan sus manos
empujadas por su rabia inmortal.

Poetizando

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Eita, que este ano de 2014 já começou com tudo!

Fui convidada pela Natura (sua linha TodoDia), junto com as talentosíssimas poetas Bruna Beber, Elisa Andrade Buzzo, Ana Guadalupe e Marina Wisnik, pra falar sobre a poesia possível no cotidiano e escrever poemas achados nas notícias de jornais.

Trata-se do projeto POETIZANDO. Todo dia será publicado na página da Natura no Facebook (clique aqui) um poema “achado” por nós.  A ideia do projeto é incentivar as pessoas a verem (e quem sabe escreverem?) a poesia que existe na rotina de cada um. Coisa que eu acredito e busco na minha própria poesia.

Aqui o textinho institucional:

“Tem poesia escondida no cotidiano, tem verso na rotina. Rimas que só quem procura consegue achar. Natura foi atrás de olhos capazes de enxergar as pequenas sutilezas do dia a dia. E convidou cinco mulheres, cinco poetas, para um exercício de encantamento e descoberta num lugar pouco usual: o noticiário diário. Poesia na rotina, impressa em preto e branco. Que você não vê. Mas vai começar a enxergar.”

Então, que tal treinar seu olhar pra ver o que tem de poesia na sua rotina?

Veja aqui os vídeos em que falamos sobre a poesia em nosso dia a dia:

e

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Aqui, meu primeiro poema, achado no dia 3 de janeiro de 2014 (até 2 de fevereiro vamos achar poemas no jornal diário):

poetizando