Sabadoni

 

Amanhã, dia 22 de novembro, participarei de uma bela homenagem ao Donizete Galvão, poeta falecido no início deste ano.
Fui convidada pelo organizadores, Reynaldo Damásio e Paulo Ferraz, e estou muito honrada por poder render esta homenagem ao querido Doni.
O evento faz parte da Programação da Balada Literária.

 

Apareçam!

 

DIA 22/11, às  13h30 – Biblioteca Alceu Amoroso Lima:

Sabadoni:

Em parceria com o SIMPOESIA, uma homenagem ao poeta DONIZETE GALVÃO

Os poetas PAULO FERRAZ e REYNALDO DAMÁSIO apresentam uma homenagem a DONIZETE GALVÃO, com vários convidados especiais, reeditando os famosos “Sabadonis” do poeta mineiro falecido no começo de 2014.

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carta XIII

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Tudo morre.
Você, claro, sabe disso.
Um séquito que acompanha um esquife é, como eu mesma, um cortejo. É uma saudação.
Mas não é o caso de saudades.
Aprendi a celebrar minhas mortes quando vi a bigorna cair na cabeça do gato num desenho de tevê. Depois quando vi meu avô morrer de gota em gota.
E agora que vi você morrer pela segunda vez.
Na segunda morte do mundo, segundo os astecas, durante o Segundo Sol, vendavais e furacões varreram tudo, mas os homens que se transformaram em macacos e se agarraram às árvores conseguiram permanecer.

Tudo morre. E pra morrer, a condição é a transformação. Isso, claro, você também soube. É a representação simbólica mais simples da Morte.
(Não se deixe levar por quem a chama de Santa. Não. Mictecacihuatl é a guardiã do Submundo, recebe os mortos e dá poder de morte àqueles que a cultuam.)

Você morto será transformado em pássaro?

Te enterro e ofereço flores.
Te enterro e ilumino o caminho.
Te enterro e sigo.