aonde

isto não tem vontade de ser literatura. isto quer ser apenas uma palavra puxando a outra.  eu sigo este trem de dentro do último vagão. sigo a sina de ser também de ferro e ser também fumaça. claro, como tantas outras mulheres, sou maria. densa e leve. acuada e atrevida sobre trilhos. meu nome já me alerta sobre ser todos os pontos de uma curva ao mesmo tempo, ser “lilian” e ser “abigail”, tão opostas, tão maria. onde estou com a cabeça? com as pernas? e os olhos, então? onde. aonde – me movimento colina acima, coluna torta. não escondo nada embaixo do chapéu. aqui nestas palavras, neste vago espaço de trem, sou quem prefere o ‘aonde’ ao verbo que o segue.

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