uma vez há muito tempo me vi segurando aquele objeto de cerâmica, parecia cego vermelho.  parecia desatento ou azedo.  peguei uma caneta preta daquelas que a gente usava pra escrever em cd, sabe?  pintei o olho direito do daruma era obrigatório parecia e iludi minha memória escondendo a tristeza por ter ficado não cego mas caolho. tanto que uma outra vez também há muito tempo o quebrei usando um martelo como se batesse um prego fechando uma porta com uma madeira. hoje por força ou sorte ou gana – a vontade virou gana – ou febre ou fome uma nuvem como algodão dos desenhos de criança branquinha veio e muitos anos depois a nuvem me entregou a mesma caneta da tinta que não sai e disse “pode pintar o olho esquerdo, estou aqui”. dessa vez  agora os dois olhos grandes bonitos podem ver que é impossível desarmar um destino.

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